Amemos nossa Igreja

                  A Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, duas colunas da única e mesma Igreja, oferece ocasião especial para renovarmos nossa adesão incondicional a Cristo e a Seu Vigário visível na terra.

Celebrar São Pedro e São Paulo significa celebrar o mistério da Igreja, fundada sobre seu ministério e ensinamento, plantada e regada no sangue de ambos, um pela cruz e outro pela espada. Diferentes nos dons e na missão, completam-se na mesma edificação da Igreja de Cristo.

A fidelidade de Pedro e Paulo à Igreja de Cristo custou-lhes o martírio. Deram sua vida porque amaram até às últimas consequências. Aprenderam a amar e a dar a vida na escola de Jesus.

Cristo amou a Igreja e por ela se entregou. Foi do Lado transpassado de Cristo que a Igreja foi formada. E eu, amo a Igreja, sendo capaz de dar minha vida por ela? Com bastante frequência lemos e ouvimos críticas as mais paradoxais sobre a Igreja, advindas, muitas vezes, “de dentro” da própria Igreja e “de fora”. Alguns chegam a dizer: “Cristo sim, a Igreja não!” Quando as incriminações são proferidas por aqueles que não têm fé, por aqueles que não têm temor de Deus ou não acreditam nem aceitam a “missão transcendente” da Igreja, parece até compreensível… Quando, porém, o dedo incriminador contra a sua mãe é apontado pelos seus próprios filhos e filhas, causa perplexidade e dor. Com muita facilidade e superficialidade se diz e se afirma que “a Igreja erra nisto, erra naquilo; a Igreja deveria liberar isto, permitir aquilo…”, como se ela estivesse acima da Lei divina.

Quando o assunto é “comportamento moral”, então, a reação de certa mentalidade laicista reinante é frontal contra a Igreja e seus ensinamentos. Haja vista certas manifestações desrespeitosas e injuriosas ultrajando a dignidade humana e valores religiosos. Prefere-se endeusar o relativismo porque fica mais fácil justificar o uso puramente subjetivo da própria liberdade. Com isso, a busca sincera da verdade que liberta fica cada vez mais distante da verdade objetiva.

Assim sendo, não é de estranhar que a Igreja continua a ser “a pedra rejeitada pelos construtores da moderna civilização secular”. A luta entre o bem e o mal, das trevas contra a luz, é mais que evidente. Quem não ama a Igreja, não ama a Cristo, ou como dizia São Cipriano: “Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe”. E ter a Igreja por mãe, não significa só ter sido batizado uma vez na Igreja, mas ademais estimá-la, respeitá-la, amá-la como mãe, sentir-se solidário com ela no bem e no mal.

Mas então, e as misérias, as fraquezas, os escândalos, as incoerências, os pecados da Igreja? A Igreja teria menos uma ruga se eu tivesse cometido menos um pecado… Cristo amou e deu a vida pela Igreja real, não pela igreja imaginária e ideal. Ele morreu justamente para torná-la santa e sem ruga. Cristo amou a Igreja não somente por aquilo que ela é, mas também por aquilo que ela seria: “como noiva enfeitada para o seu esposo” (Ap 21, 2).

Ninguém é obrigado a ser feliz, a ser cristão, a pertencer à Igreja de Cristo. Mas vale a pena ser cristão autêntico para ser feliz. Mais do que nunca amemos a Igreja. Ela conta com o amor fiel e perseverante de seus filhos e filhas.

 

Dom Nelson Westrupp, scj
Administrador Apostólico de Lages

 

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