Mensagem do Papa Francisco – CF2018

Por ocasião do lançamento da Campanha da Fraternidade 2018 o Papa Francisco enviou uma mensagem ao Presidente da CNBB, o arcebispo de Brasília, Cardeal Dom Sérgio da Rocha.

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Neste tempo quaresmal, de bom grado me uno à Igreja no Brasil para celebrar a Campanha “Fraternidade e a superação da violência”, cujo objetivo é construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência.

Desse modo, a Campanha da Fraternidade de 2018 nos convida a reconhecer a violência em tantos âmbitos e manifestações e, com confiança, fé e esperança, superá-la pelo caminho do amor visibilizado em Jesus Crucificado.

Jesus veio para nos dar a vida plena (cf. Jo 10, 10). Na medida em que Ele está no meio de nós, a vida se converte num espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos (cf. Exort. Apost. Evangelii gaudium, 180).

ste tempo penitencial, onde somos chamados a viver a prática do jejum, da oração e da esmola nos faz perceber que somos irmãos.

Deixemos que o amor de Deus se torne visível entre nós, nas nossas famílias, nas comunidades, na sociedade.

“É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (1 Co 6,2; cf. Is 49,8), que nos traz a graça do perdão recebido e oferecido.

O perdão das ofensas é a expressão mais eloquente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Às vezes, como é difícil perdoar!

E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração, a paz.

Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança é condição necessária para se viver como irmãos e irmãs e superar a violência. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: “Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento” (Ef 4, 26).

Sejamos protagonistas da superação da violência fazendo-nos arautos e construtores da paz. Uma paz que é fruto do desenvolvimento integral de todos, uma paz que nasce de uma nova relação também com todas as criaturas.

A paz é tecida no dia a dia com paciência e misericórdia, no seio da família, na dinâmica da comunidade, nas relações de trabalho, na relação com a natureza.

São pequenos gestos de respeito, de escuta, de diálogo, de silêncio, de afeto, de acolhida, de integração, que criam espaços onde se respira a fraternidade: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8), como destaca o lema da Campanha da Fraternidade deste ano.

Em Cristo somos da mesma família, nascidos do sangue da cruz, nossa salvação. As comunidades da Igreja no Brasil anunciem a conversão, o dia da salvação para conviverem sem violência.

Peço a Deus que a Campanha da Fraternidade deste ano anime a todos para encontrar caminhos de superação da violência, convivendo mais como irmãos e irmãs em Cristo. Invoco a proteção de Nossa Senhora da Conceição Aparecida sobre o povo brasileiro, concedendo a Bênção Apostólica. Peço que todos rezem por mim.

Vaticano, 27 de janeiro de 2018.

Franciscus PP.

“Espero que o apelo do papa ecoe no Brasil”, diz dom Murilo sobre o 1° Dia Mundial dos Pobres

A Ação da Cidadania volta a realizar a campanha Natal sem Fome após 10 anos e segundo um estudo divulgado em fevereiro pelo Banco Mundial, o número de pessoas vivendo na pobreza no Brasil deverá aumentar entre 2,5 milhões e 3,6 milhões até o fim de 2017. Esses são sinais claros de que a fome e a miséria, um pouco atenuadas em função das últimas políticas públicas adotadas pelo Brasil, como o Bolsa Família, voltam a rondar o país. No dia 19, próximo domingo, será celebrado o 1º Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo papa Francisco. Neste contexto, o vice-presidente da CNBB, o arcebispo de Salvador, dom Murilo Krieger, fala do gesto do santo padre. “A intenção do papa é a de despertar o mundo – países e pessoas -, e de acordá-lo para a triste realidade de nosso tempo”, disse. A pobreza e a fome ameaçam milhões de pessoas pelo planeta porque falta o senso de solidariedade e o respeito aos mais pobres aponta o bispo. Acompanhe a íntegra da entrevista.

Portal CNBB – No dia 19, próximo domingo, será celebrado o 1º Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo papa Francisco. Qual o sinal o santo padre quer dar para a humanidade com este gesto?

Dom Murilo Krieger – Há multidões que hoje, em pleno século XXI, passam fome e vivem sem as mínimas condições para se falar em vida digna. E elas são ignoradas por todos – incluindo aqui os países ricos e as pessoas em melhores condições. Pior: não faltam alimentos ao mundo; não faltam riquezas. Falta o senso de solidariedade e de respeito àqueles que Jesus considera o menor de seus irmãos. A intenção do Papa Francisco é a de despertar o mundo – isto é, países e pessoas -, de acordá-lo para a triste realidade de nosso tempo.

Portal CNBB – Há sinais claros de que a fome e a miséria, um pouco atenuadas em função das últimas políticas públicas, como o Bolsa Família, adotadas pelo Brasil, voltam a rondar o país. Após 10 anos, a Ação da Cidadania volta a realizar o Natal sem Fome.  De acordo com um estudo divulgado em fevereiro pelo Banco Mundial, o número de pessoas vivendo na pobreza no Brasil deverá aumentar entre 2,5 milhões e 3,6 milhões até o fim de 2017. Como vice-presidente da CNBB, qual a sua avaliação desta realidade?

Dom Murilo Krieger – Se há um país onde palavra “pobre” não deveria existir, esse país é o nosso. Temos uma natureza maravilhosa, riquezas minerais imensas, um clima excelente; não temos problemas naturais tão comuns em outros países, e que causam desgraças e prejuízos imensos. Não temos, contudo, a consciência de que os pobres não são pobres por acaso. Já em 1979, em Puebla, os Bispos diziam que o grande problema nosso é a injustiça institucionalizada, como parte de nossas estruturas. Aí estão os escândalos de corrupção que são denunciados a cada dia, a nos mostrar que quando falta o devido cuidado com os bens do país, cresce o enriquecimento de alguns e o empobrecimento de multidões. Espero que o apelo do papa tenha eco em nossa terra de Santa Cruz.

Portal CNBB – Quais passos são necessários para superação da pobreza entre nós?

Dom Murilo Krieger – Diria que cinco: 1º) Consciência de que o Brasil deve ser um país para todos; 2º) A justiça é o fundamento da paz; 3º) Há necessidades de gestos imediatos para resolver o problema da fome, das doenças, da falta de educação, de habitação por parte daqueles pessoas que sofrem com tais carências. Além disso, há necessidade de decisões a médio prazo, com investimento adequado para a educação – base para qualquer superação da miséria e da fome; e, a longo prazo, despertar a consciência de que com corrupção, não se constrói país algum; 4º) Ver o pobre com o olhar de Jesus Cristo e ver Jesus Cristo no rosto de quem é pobre; 5º) Cada um fazer o que estiver a seu alcance para combater a pobreza, como resposta aos apelos do Evangelho. Parafraseando o presidente Kennedy é necessário deixar de perguntar o que os outros podem fazer por nós, mas o que nós podemos fazer por aqueles que, sozinhos, não sairão de sua situação de pobreza.

​Fonte: Site oficial da CNBB​

Jornada de Oração pelo Brasil

Dia de “Corpus Christi”
15 de junho de 2017

A verdadeira paz começa no seu coração

Diante do grave momento vivido por nosso país, dirijamos nossa oração a Deus, para que dê a paz ao Brasil e ao mundo inteiro. “Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e o ilumina. A paz é o nome de Deus”. (Papa Francisco)

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vivemos um momento triste, marcado por injustiças e violência. Necessitamos muito do vosso amor misericordioso, que nunca se cansa de perdoar, para nos ajudar a construir a justiça e a paz, em nosso país.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Estamos indignados, diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Ajudai-nos a construir um país justo e fraterno. Que todos estejam atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas! Que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos!

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso Filho, Jesus, nos ensinou: “Pedi e recebereis”. Por isso, nós vos pedimos confiantes: fazei que nós, brasileiros e brasileiras, sejamos artesãos da paz, iluminados pela Palavra e alimentados pela Eucaristia.

Pai misericordioso, nós vos pedimos pelo Brasil!

Vosso filho Jesus está no meio de nós, no Santíssimo Sacramento, trazendo-nos esperança e força para caminhar. A comunhão eucarística seja fonte de comunhão fraterna e de paz, em nossas comunidades, nas famílias e nas ruas. Seguindo o exemplo de Maria, queremos permanecer unidos a Jesus Cristo, que convosco vive, na unidade do Espírito Santo. Amém!

(Pai nosso! Ave, Maria! Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!)

Pela Ética na Política

Nota da CNBB sobre o Momento Nacional

“O fruto da justiça é semeado na paz” (Tg 3,18)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, unida aos bispos e às comunidades de todo o país, acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.
Tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum.
A superação da grave crise vivida no Brasil exige o resgate da ética na política que desempenha papel fundamental na sociedade democrática. Urge um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social. Lembramos a afirmação da Assembleia Geral da CNBB: “O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre os interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção”.
Recordamos também as palavras do Papa Francisco: “Na vida pública, na política, se não houver a ética, uma ética de referimento, tudo é possível e tudo se pode fazer” (Roma, maio de 2013). Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito.
Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil.
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos ajude a caminhar com esperança construindo uma nova sociedade.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB