Tempo novo de novas esperanças!

Enfim, “aquele que era esperado” está entre nós, cheio de entusiasmo, pronto e disponível a colocar seu Lema Episcopal: “Para que todos tenham vida” (Jo 10, 10), a serviço da Diocese de Lages e do Povo de Deus que peregrina na magnífica e acolhedora Região Serrana no Planalto Catarinense.

Região mais fria do Brasil, porém, onde o céu é mais azul, o sol mais brilhante e o coração mais caloroso. Terra abençoada por Deus, onde cresce o pinheiro araucária (:“árvore-da-terra-do-povo-livre”); onde as macieiras e hortaliças transbordam de esperança e as montanhas e colinas se enfeitam de hortênsias e de alegria. Terra onde rios de Deus que vêm do alto derramam águas, e neves e gelos bendizem o Senhor!

Consciente da importância da água, indispensável à vida vegetal, animal e humana, Dom Guilherme, nascido em Região fluvial, será portador da “água viva” do Espírito de Deus ao povo que peregrina na Diocese de Lages.

Nunca é fácil esperar, pois a espera pode ser curta, breve, como pode ser longa, demorada…

Todos e todas nós, diocesanas e diocesanos da querida Diocese de Lages, rezamos, pedimos ao Senhor da Messe, fizemos novenas a Nossa Senhora, à espera de nosso 5º Bispo Diocesano. De um Bispo que correspondesse aos ideais das primeiras comunidades cristãs, no seio das quais reinava um só coração e uma só alma.

Nossa espera pelo 5º Bispo de Lages demorou pouco mais de um ano. Ainda bem que a impaciência da espera foi suavizada pela nomeação e anúncio do “esperado”.

Quando o amor é maior, o tempo de espera vai nos construindo por dentro e nos permite criar espaço no coração para quem está chegando.

Agora que fomos agraciados com a nomeação e posse de novo Bispo, não nos cansemos de orar por ele, para que a sua fé e seu ardor apostólico não desfaleçam (cf. Lc 22, 32). Aliás, Jesus mesmo disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5).

A Diocese de Lages está iniciando um novo tempo e tempo de novas esperanças e expectativas.

Minha intuição é a de que Dom Guilherme Antônio Werlang, M.S.F., colocará em prática o conselho do Papa Francisco, isto é, “às vezes, por-se-á à frente para indicar a estrada e sustentar a esperança do povo, outras vezes manter-se-á simplesmente no meio de todos com a sua proximidade simples e misericordiosa e, em certas circunstâncias, deverá caminhar atrás do povo, para ajudar aqueles que se atrasaram” (EG, 31).

Dom Guilherme vem em nome do Senhor, trazendo a indicação e propostas de novos caminhos na busca e na ânsia de levar a luz do Evangelho a todos os recantos da Diocese.

Saber despedir-se é preciso…

Cabe-me agora retornar ao deserto que atravessava antes de minha designação para Administrador Apostólico da inesquecível Diocese de Lages. Tenham a certeza, porém, de que todas e todos Vocês, queridas irmãs e queridos irmãos, continuarão presentes em meu coração e na oração.

Um dia, o Mestre convida os Apóstolos, agradecidos e felizes, que acabam de chegar de sua missão apostólica, a irem com Ele “para um lugar deserto” (cf. Mc 6, 31), isto é, para um encontro espiritual, íntimo, longe do barulho da rua e das preocupações do trabalho. Estar face a face com Deus é o melhor lugar para revermos caminhos, discernirmos projetos e encontrarmos novas respostas existenciais…

Cristo acolhe os Apóstolos pessoalmente, trocam impressões, explicam como as coisas se passaram para confrontar experiências, rever métodos, propor novas pistas, corrigir imperfeições, reforçar iniciativas que deram certo.

Não há ninguém ligado a Cristo e ao Evangelho que não necessite da experiência do deserto. “Vinde, a sós, e descansai um pouco!”. Deserto significa tempo de intimidade para aprendermos no silêncio a escutar o Senhor, que passa. Chega-se a uma determinada fase da vida em que fazer silêncio é preciso, interpor desertos é necessário para ouvir o que Deus tem a nos dizer. Só um coração despojado de tensões e ruídos, é capaz de um encontro amoroso com Deus em comunicação filial. Escutar a Deus em silêncio é a oração perfeita, a suma contemplação. Vinde, a sós, para esta nova casa feita de recolhimento, de intercessão, de oração.

A exemplo dos discípulos de Jesus, queremos caminhar unidos na mesma missão de passar para o outro lado das aparências. No silêncio do deserto se aprende a sabedoria de escutar o outro, comungando a Palavra e a Pessoa de Jesus.

            “Os Apóstolos se reuniram junto de Jesus e lhe contaram tudo o que tinham feito e ensinado” (Mc 6, 30). Deserto significa tempo de parada para a reflexão e revisão de vida e de caminhada. Para isso estivemos aqui. Continuaremos a rezar juntos, repensar caminhos percorridos e continuar à disposição do Reino. Queremos estar disponíveis à brisa suave que o Espírito Santo fizer passar em nossas meditações e reflexões.

O deserto não é fuga nem alienação. No silêncio com Deus ressoam todas as dores humanas e todos os apelos da vida. Se vamos para o deserto é para estar mais perto das pessoas; se escolhemos o silêncio é para falar melhor. De fato, andamos por demais saturados de agitação e ruídos, distraídos do único necessário. Sobram palavras; faltam silêncios. Em meio a tantos compromissos e atividades, há o perigo de esquecermos que o eixo essencial de nosso trabalho pastoral é o serviço do Reino de Deus.

Nos Corações de Cristo misericordioso, e de Nossa Senhora dos Prazeres, um abraço agradecido e uma especial bênção a todas e a todos.

Lages, março de 2018
Dom Nelson Westrupp, scj
Administrador Apostólico da Diocese de Lages

Homenagem de Dom Nelson a todas as mulheres

“A mulher de valor, quem a encontrará? Ela é muito mais preciosa do que as jóias. Seu marido confia nela plenamente e não precisa de outros recursos.” (Prov 31, 10-13).

Mulher: Palavra nobre, com um significado infinito, pois quer dizer amor, dedicação, renúncia a si própria, ternura e perdão, força e sabedoria, acolhimento e proteção da vida.

Ser mulher não é simplesmente ter a graça de gerar e dar à luz, mas, sobretudo, participar da vida dos seus frutos gerados ou criados.

Ser mulher é colaborar para que a criação, dom de Deus ao ser humano, se desenvolva em harmonia e suavidade.

A beleza e o perfume das flores, a doçura do mel, o brilho das estrelas, envolvam Você hoje e que Você continue irradiando este amor e esta alegria que só Você possui.

Sua pessoa e seu ser feminino embelezam nossas vidas e enfeitam o mundo com a ternura que vem do próprio Deus.

Mulher, neste seu dia, quero rezar a Deus por você, assim:

“Pai, Tu, sendo Deus,
quiseste mostrar
entre nós tua face de ternura, compaixão, suavidade e beleza… Por isso, criaste todas as mulheres.
Peço-Te hoje por todas as mulheres.
Sinal concreto e visível de Teu amor entre nós.
Multiplicai os seus dias em nosso meio!

Acompanha-as em todo riso e em toda lágrima, pois seu riso é luz e suas lágrimas são sinais da alegria ou da dor, cuja expressão são tão próprias de sua feminilidade.
Proteja-as em todo trabalho.

Ouve suas preces todo dia e toda noite!
Que Tua bênção cubra de luz
a vida de todas as mulheres, para que,
inundadas de Ti, elas sejam sempre mais
presença da ternura divina em nossas vidas. Amém!

Dom Nelson Westrupp, scj

Salve 04 DE AGOSTO – DIA DO PADRE!

Gostaria de cumprimentar os queridos colaboradores e amigos  Padres e fazer chegar a cada coração sacerdotal uma palavrinha fraterna e amiga de incentivo, amor e extrema gratidão.

O verdadeiro Sacerdote de Jesus Cristo é aquele que “vai ao povo” e “vive com o povo”, oferecendo-lhe suas mãos e o coração, para que as ovelhas tenham vida em plenitude (cf. Jo 10).

“Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 13). O Padre é um homem chamado do meio da comunidade cristã para santificar e apascentar o rebanho do Senhor. Não há maior dignidade, maior nobreza do que esta de ser escolhido e enviado pelo próprio Sumo e Eterno Sacerdote.

Não é fácil acatar as exigências de Jesus, escutar e aceitar, obedecer e aderir à Pessoa de Cristo, com todas as suas consequências. Aliás, o ministério sacerdotal é feito de cruz e graça, de dor e alegria,  de decepção e esperança.

Assumir fiel e generosamente a identidade sacerdotal significa tornar-se grão de incenso a se consumir no fogo ardente da caridade pastoral.

A Regra de vida de Cristo consiste em abandonar-se totalmente à vontade do Pai. Esta é também a atitude fundamental do Padre.

Meus queridos Padres, amigos e fiéis colaboradores, Deus os abençoe neste dia tão significativo e os recompense largamente pela dedicação a serviço do Reino. A vida de cada um de vocês esteja sob o olhar materno Daquela que encontrou graça diante de Deus.

Maria, Virgem e Mãe Sacerdotal, seja na vida de cada um de Vocês, a Estrela luminosa que vai à frente e, como Mãe amorosa guie e abençoe seus passos hoje e sempre.

São João Maria Vianney, o Cura d’ Ars, interceda por todos os queridos Padres que em suas Dioceses doam suas vidas para o crescimento vigoroso do Reino do Senhor.

Com imensa gratidão e muito amor, gostaria de abraçar cada um de Vocês. Sintam-se especialmente abençoados e recebam meu abraço eucarístico.

Dom Nelson Westrupp, scj
Lages, 4 de agosto de 2017

Ecos da 55ª Assembleia Geral da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB)

No dia 26 de abril de 2017, às 7h30, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, teve início a 55ª Assembleia Geral (AG) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com a celebração Eucarística, presidida pelo Cardeal Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília e Presidente da CNBB. Concelebraram os Cardeais, Arcebispos, Bispos e Presbíteros participantes da Assembleia. Estavam presentes também na celebração de abertura da Assembleia os Assessores, os Membros dos diversos Organismos da CNBB, os(as) Secretários(as) executivos(as) dos 18 Regionais da Conferência dos Bispos, convidados e fiéis romeiros.

A celebração eucarística (concelebrada) foi realizada todos os dias da Assembleia, sempre às 7h30, na Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Após a celebração eucarística, já no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, local dos trabalhos da Assembleia, realizou-se a sessão solene de abertura da 55ª AG da CNBB.

Após a comunicação do roteiro de desenvolvimento da Assembleia, o Secretário geral da CNBB, Dom Leonardo U. Steiner, solicitou aos Bispos recém-nomeados, desde a última Assembleia até agora, que fizessem sua própria apresentação.

Ao longo da Assembleia, além do Tema Central, foram apresentados: temas prioritários, temas diversos, reuniões, comunicações, celebrações eucarísticas, celebração especial, retiro espiritual, eventos, mensagens, declaração, experiências evangelizadoras…

Entre os “temas prioritários”, destacamos o Relatório anual, ou seja, a relação das principais atividades desenvolvidas pela Presidência da CNBB, desde a última Assembleia geral.

Dentre as atividades realizadas, o Presidente da CNBB deu especial ênfase à proclamação do Ano Nacional Mariano, à Campanha da Fraternidade sobre os Biomas, às reuniões do CONSEP (Conselho Episcopal Pastoral), ao trabalho de revisão dos Estatutos da CNBB. Lembrou também as atividades referentes ao Ano Santo da Misericórdia e ao Sínodo dos Bispos. Comentou a importância dos trabalhos de relacionamento da CNBB com os organismos da sociedade civil. Destacou as visitas oficiais feitas pela Presidência da CNBB a autoridades da República, da Câmara dos Deputados, ao Supremo Tribunal Federal. Encerrando seu Relatório, o Presidente da Assembleia, Cardeal Sérgio da Rocha acrescentou que, apesar do momento, a CNBB tem cumprido a sua missão.

Damos aqui especial destaque ao tema central da Assembleia: “Iniciação à vida cristã: itinerário para formar discípulos missionários”.

O texto sobre o tema central, aprovado pela 55ª Assembleia Geral da CNBB, visa “inspirar a Igreja no Brasil a repensar uma nova forma de fazer a catequese mais integrada com a liturgia”. À luz do Documento de Aparecida, o texto reforça a necessidade de oferecer às pessoas uma profunda experiência de encontro pessoal com Jesus Cristo.

Não basta conhecer Jesus, é necessário sentir o que Ele sentiu e reproduzir na própria vida o seu jeito de ser e de fazer, isto é, ter o mesmo pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude.

Fica o convite a cada cristão e a cada cristã a levar adiante com disposição e boa vontade tudo o que for necessário para que um número cada vez maior de pessoas façam a experiência do encontro vivo e transformador com Jesus Cristo.

Grande desafio para a Igreja hoje reside no trazer para a Comunidade eclesial os batizados que não vivem as exigências do batismo e dos que não conhecem ou recusam o Evangelho. Nesse sentido, precisamos ajudar as pessoas a tomar a sério o projeto que Deus tem para elas.

Sabemos que o processo de Iniciação á vida cristã exige novas disposições pastorais, perseverança e docilidade à voz do espírito. Nada disso acontece, porém, sem uma conversão pessoal de todos os membros da comunidade eclesial.

Assim que o Documento “Iniciação à vida cristã” for publicado, é de se esperar que todas as Paróquias e Comunidades eclesiais de nossa Diocese estudem e assumam o processo de Iniciação à vida cristã, dispondo-se a colocá-lo em prática.

Assuntos de Liturgia: o texto da Liturgia para a 55ª AG da CNBB foi sobre “Liturgia e Participação”, propondo algumas reflexões a respeito do que envolve a participação nas celebrações litúrgicas. A participação dos fiéis na Liturgia pode ser considerada o objetivo principal de liturgistas e pastores, na teoria e na prática. À participação, o Concílio Vaticano II deu preciosas orientações que, ainda não foram suficientemente aplicadas. Diz a Sacrosanctum Concilium: “Os fiéis não assistam a este mistério da fé (a Eucaristia) como estranhos ou expectadores mudos” (SC, 48), mas bem compenetrados pelos ritos e pelas orações, participem conscientes, piedosa e ativamente da ação sagrada… Valeria a pena uma atenta releitura deste Documento tão importante para a participação na vida litúrgica da Igreja.

Comissão Episcopal Pastoral da Doutrina da Fé. A Comissão elaborou dois Subsídios doutrinais:

a) “Exorcismos: reflexões teológicas e orientações pastorais”. O texto se situa na busca do seguimento de Jesus Cristo, e desenvolve seu conteúdo, acentuando a importância da confiança na graça de Deus. O Subsídio acentua o que está presente nos documentos eclesiais e os critérios de discernimento nesse campo. Destaca ainda as orientações práticas e pastorais, a importância da autoridade do Bispo e a escolha de um sacerdote sábio e ponderado, o valor da oração, a importância da discrição no exercício da prática do exorcismo, a formação adequada dos ministros destacados para isso e, sobretudo, não abandonar as pessoas atormentadas.

b) “O ensino de filosofia na formação presbiteral”. O texto apresenta orientações para o ensino da filosofia na formação dos futuros presbíteros. É sublinhada a importância do estudo da filosofia, como forma de capacitar os futuros candidatos ao presbitério uma sólida cultura humanista, que o ajude a compreender a pessoa humana e capaz de dialogar com a cultura atual. O Subsídio alerta para as limitações do uso de meios eletrônicos e a necessidade do acompanhamento presencial. O texto lembra ainda a necessidade de adequada preparação de professores, de estruturas e recursos mínimos para garantir a qualidade da formação presbiteral.

O Caminho Ecumênico no Brasil tem por missão promover a unidade dos cristãos e o diálogo inter-religioso no âmbito da Igreja Católica no Brasil, conforme as orientações do Magistério e em atenção ao cenário religioso do País. O Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso percorrem os caminhos do Espírito e da liberdade humana condicionada ainda por traumas históricos de dor e de desamor. Como o Bom samaritano, somos chamados a curar as feridas do passado através do perdão e da reconciliação para chegarmos um dia à plena comunhão em Cristo. Por isso, anunciemos e acreditemos no sonho e na promessa de Jesus: “Que todos sejam um”! (Jo 17, 21). Oremos e trabalhemos para que essa hora se aproxime!

Celebração da Palavra de Deus: foi apresentado à Assembleia um texto sobre a Celebração da Palavra de Deus, oferecendo propostas concretas de roteiros de Celebração da Palavra. Há a necessidade de se pensar a Celebração da Palavra de Deus de modo distinto da santa Missa. Nesse sentido, decidiu-se elaborar um texto que orientasse a celebração da Palavra de Deus como expressão da vida da comunidade de fé. O texto é ainda provisório.

Ministros da Palavra: foi igualmente apresentado um texto sobre o “Ministério da Palavra”. Em relação aos textos sobre a Celebração da Palavra e sobre o Ministério da Palavra, foi aprovada a proposta de se nomear uma Comissão que pudesse trabalhar no sentido de elaborar um único texto, tendo por base os dois subsídios.

Acolhimento da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia na Igreja no Brasil. A CNBB está preparando uma reflexão serena e objetiva sobre “Amoris Laetitia”, que sirva como estudo e instrumental para os grupos de evangelização e agentes de pastoral.

Análise de Conjuntura Político-Social: “Pensando o Brasil – 3”. A análise discorre sobre a questão da educação, seus fundamentos, sua necessidade para o desenvolvimento de toda pessoa humana. O texto insiste em que toda a sociedade participe do grande desafio da educação no Brasil, com cerca de 80 milhões de brasileiros em idade escolar.

Destacou-se outrossim a necessidade do compromisso de todos na busca de soluções para a questão da educação. É preciso apoiar e valorizar os Planos Nacionais de Educação.

A Análise de Conjuntura Eclesial tratou da memória dos dez anos da realização da Conferência de Aparecida, do que de fato representa o Documento de Aparecida para a caminhada da Igreja na América Latina, como continuidade e ampliação do horizonte aberto pelas Conferências anteriores.

Desenvolveu de maneira mais extensa as repercussões de Aparecida na Igreja no Brasil, em especial pela elaboração das Diretrizes Gerais da Evangelização da Igreja no Brasil, entre os anos 2011 a 2015, e de 2015 a 2019.

Foi dito também que a questão central de Aparecida é a de que estamos experimentando uma mudança diametral no modo de compreender a ação evangelizadora, a fim de, internamente, (re)modelar as comunidades e, externamente, incidir na sociedade e na cultura, e por isso é necessário manter o rumo estipulado em Aparecida.

Sínodo dos Bispos: 15ª Assembleia geral ordinária. A Assembleia do Sínodo está prevista para outubro de 2018. Tema: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. É muito importante fazer com que os jovens se expressem durante a preparação do Sínodo. “Tem-se que ouvir a juventude que está na Igreja, mas é preciso ouvir também os jovens que não participam. É necessário ouvir os de fora da Igreja” (Papa Francisco). O apelo é que a Igreja escute a juventude, pois há muito o que aprender com ela. Que o Sínodo nos ajude a ver novos caminhos para evangelizar a juventude.

Congressos Eucarísticos Nacionais (CEN). Devido a importância da Eucaristia, “símbolo do amor e da unidade do Corpo místico” (LG, 28), foram elaboradas, apresentadas e aprovadas pela AG “Diretrizes” para os CEN. Além da identidade dos CEN, as Diretrizes apontam três dimensões: celebrativa, social e missionária, que se concretizam nas fases de preparação e celebração do Congresso, bem como no pós-Congresso.

A realização do próximo CEN será na Arquidiocese de Olinda e Recife, de 12 a 15 de novembro de 2020.

Ano Mariano Nacional: celebrando os 300 Anos do Encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, os Bispos católicos do Brasil, por ocasião da 55ª AG, enviaram uma “Mensagem Mariana” a todo o povo brasileiro. Comemoramos, também, os cem anos da Aparição de Nossa Senhora de Fátima.

“Aparecida é o lugar onde pulsa o coração católico do Brasil” (São João Paulo II).

A visita da Imagem de Nossa Senhora Aparecida às diversas Dioceses do Brasil está produzindo muitos frutos espirituais e pastorais. “Se alguém quiser saber quem é Maria, vá aos teólogos. Se quiser saber como amar Maria, vá ao povo” (Papa Francisco).

Diz ainda a Mensagem: “Em Maria, Mãe e modelo da Igreja, os cristãos leigos e leigas se alegram por compreender o que são para Deus, o que Deus realiza neles e como são chamados a fazer de sua vida um serviço aos irmãos e irmãs…

A piedade mariana nos motiva a rezar o terço, especialmente em família; a visitar as casas, hospitais, presídios e periferias…

Motivados pela graça do Ano Mariano, lancemos as redes em águas mais profundas como discípulos missionários.

“Nossa Senhora Aparecida, cuja Imagem foi encontrada há 300 anos, ajudai-nos a deixar-nos encontrar por Seu Filho Jesus, Água Viva. Volvei vosso olhar e estendei o vosso manto sobre cada um de nós. Nossas famílias e nossa Pátria”.

Associações de Fiéis, Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades. Esta estrutura não tem ainda uma terminologia claramente definida e podem ser encontradas diversas denominações: “novas formas de vida consagrada” ou “novas formas de consagração”, ou “Novas Comunidades”, ou “novas fundações”, ou ainda “novas formas de vida evangélica”.

Um termo interessante é “família eclesial de vida consagrada”. O vocábulo “família” põe em evidência a unidade da comunhão na diversidade. A originalidade dessas “novas famílias eclesiais” consiste na reunião de fiéis batizados pertencentes aos três estados de vida na Igreja (laical, clerical e vida consagrada), em vista da missão, santificação e evangelização.

O texto deverá ser aperfeiçoado, para servir de instrumento para o discernimento e acompanhamento dessas Novas Comunidades com suas formas de consagração.

Atividades da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). Foi apresentado um texto sobre as atividades das Religiosas e Religiosos do Brasil. Nele acentua-se a importância da atitude de contemplação e profecia, que tem guiado a vida consagrada, no contexto de crise atualmente vivido no Brasil e nos Institutos de Vida Consagrada. Foi dito que a vida consagrada é valorizada pela qualidade de seu testemunho, e não deve ser vista apenas pelo seu aspecto funcional. Acenou-se igualmente para a condição vivida pela mulher na vida consagrada. Solicitou-se aos Bispos que valorizem os diferentes carismas na diocese.

Ano Nacional do Laicato: o Ano do Laicato tem seu início agendado para o dia de Cristo Rei de 2017, e o seu encerramento para a Solenidade de Cristo Rei de 2018. Enfatizou-se que os leigos tomem consciência de que esse é de fato o seu Ano.

Preparação do 14º Intereclesial de CEBs (em Londrina-PR, de 21 a 28 de janeiro de 2018), que tem por Tema “CEBs e os desafios do mundo urbano”, e por Lema “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” Ex 3, 7. Buscará encontrar caminhos para levar em frente um projeto que ajude no seguimento de Jesus, como discípulos e discípulas, descobrindo elementos positivos que favorecem a evangelização no mundo urbano.

Serviço de Animação da Pastoral Vocacional. Foi apresentada a proposta da criação de um projeto para intensificar a animação vocacional nas dioceses do Brasil. O objetivo é fortalecer esta Pastoral. Desde já todas as comunidades eclesiais de nosso País são convidadas a rezar pelas vocações e a dar testemunho de vida cristã como forma de intensificar a promoção vocacional.

Projeto “Comunhão e Partilha” para a manutenção de seminaristas de dioceses mais necessitadas. Após cinco anos de ótimos resultados, foi aprovada a continuação do Projeto “Comunhão e Partilha” por mais cinco anos, bem como a alíquota de um por cento.

O “Grave Momento Nacional”. A Mensagem da CNBB, por ocasião de sua 55ª AG, traz recomendações que ajudem a refletir sobre a realidade vivida pela sociedade brasileira. O texto chama a atenção para a delicada conjuntura política, econômica e social pela qual vem passando o Brasil. Não compete à Igreja apresentar soluções técnicas para os graves problemas vividos pelo País, mas oferecer ao Povo brasileiro a luz do Evangelho para a edificação de “uma sociedade à medida do ser humano, da sua dignidade, da sua vocação” (Bento XVI – Caritas in Veritate, 9).

O que está acontecendo com o Brasil? Um País perplexo diante de agentes públicos e privados que ignoram a ética e abrem mão dos princípios morais, base indispensável de uma Nação que se queira justa e fraterna.

O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção… O Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população. É preciso construir uma democracia verdadeiramente participativa. (Aconselha-se a leitura da Mensagem na sua íntegra).

Foram apresentadas algumas experiências pastorais:

a) Experiência de uma Paróquia “flutuante”. Dom José Maria Chaves dos Reis, Bispo de Abaetetuba-PA, apresentou as características dessa Paróquia de sua Diocese, composta de várias ilhas e que não possui matriz. É uma Paróquia composta de comunidades eclesiais de base, e vários núcleos de iniciação à vida cristã. A sede da Paróquia é composta de um barco que circula pelas ilhas e assim atende as comunidades.

b) Pastoral da Sobriedade: presente em 167 Dioceses e atingindo mais de seis milhões de pessoas, a Pastoral atua na prevenção, intervenção, recuperação e articulação nos Conselhos de políticas públicas para lutar por melhorias e direitos. A meta é chegar a 75% das Dioceses, organizar 3.500 grupos e mais de 500 comunidades terapêuticas.

c) Pastoral do Povo de Rua: Quem vive na rua é povo que sente na pele, de forma mais intensa, os impactos da crise pela qual o Brasil atravessa. Nas ruas falta tudo. A fome e o frio enlouquecem as pessoas. As pessoas estão expostas à violência, exclusão e à invisibilidade. A Pastoral do Povo de Rua é uma pastoral urbana que busca minimizar os impactos na vida das pessoas das desigualdades, lembrando que elas também são filhas de Deus.

Declaração sobre os Bispos eméritos. Foi apresentada uma Declaração sobre a realidade e a condição vivida dos Bispos eméritos, após o serviço prestado no pastoreio de suas dioceses.

Reforma da Sede da CNBB. Após 50 anos de funcionamento, a Sede da CNBB, em Brasília, necessita urgentemente de uma reforma. A forma votada de contribuição para a reforma foi a seguinte: cada Diocese promova uma coleta especial em benefício da reforma da Sede da CNBB.

Ao concluir este breve relato, gostaria de sublinhar que, poder participar de uma Assembleia geral da CNBB é, sem dúvida, ocasião única para sentir de perto o que se passa no coração de cada irmão Bispo, colocado à frente de uma diocese com a missão de indicar a estrada e sustentar a esperança do Povo de Deus (cf. EG, 31). A Assembleia é, igualmente, um período forte de convivência fraterna e de crescimento da comunhão entre os Bispos, bem como um tempo de reflexão, de oração e de troca de experiências pastorais. Por isso, a Assembleia vai muito além do que só produzir textos e documentos.

Dom Nelson Westrupp, scj
Administrador Apostólico de Lages

Maria, rosto materno do Pai

Por Dom Nelson Westrupp, scj
Administrador Apostólico de Lages

Ao longo do mês de maio, queremos contemplar em Maria “o rosto materno do Pai”, o rosto deste Pai que também é Mãe, ou como dizia o Papa João Paulo I: “Deus é mais Mãe do que Pai”, pois o conceito de mãe exprime melhor a sua ternura e o seu carinho para com a humanidade.
Na Sagrada Escritura, Deus é comparado com a mãe que consola (Is 66, 13), com a mãe incapaz de esquecer o filho de suas entranhas (Is 49, 15; Sl 25, 6; 116, 5). E Jesus se compara à mãe que quer reunir os filhos sob sua proteção (Lc 13, 34).
No fim dos tempos, Deus terá o carinhoso gesto da mais terna e bondosa das mães, enxugando as lágrimas dos nossos olhos, cansados de tanto chorar (Ap 21, 4).
Assim sendo, Deus pode ser experimentado e invocado como meu  Pai e minha Mãe, como nosso Pai e nossa Mãe…
E, certamente, nenhum outro ser humano pode refletir e retratar melhor esse rosto maternal de Deus do que Maria, a mais pura e a mais santa de todas as mulheres.
Concebida sem pecado original, Maria Imaculada e cooperadora na obra da redenção, foi sempre para a humanidade, a revelação da face bondosa e misericordiosa de Deus.
Ao dizer sim ao anjo, ao dizer “faça-se em mim segundo a tua palavra”, Maria Santíssima torna-se  o instrumento visível de Deus que é Amor. Empresta-lhe de sua carne e de seu sangue, para que o Filho de Deus se torne um de nós.
Com ela, o rosto amoroso e carinhoso de Deus chega a cada um de nós, trazendo luz e salvação.
Maria é a pessoa que mais experimentou a misericórdia, a bondade e o amor do Pai e, ao  mesmo tempo, e de modo admirável, tornou possível com o sacrifício do coração a própria participação na revelação dos atributos divinos…
De fato, o Filho de Deus se fez homem para ser imagem encarnada e visível do Pai e dos seus atributos, mormente do seu amor, bondade, ternura, misericórdia…, atributos tipicamente maternos.
Jesus retrata em Si mesmo a face misericordiosa e amorosa do Pai. “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 9). Quem vê Jesus, vê o Pai. Quem vê Jesus, vê Maria. Quem vê Maria, vê Jesus que vê o pai! Depois de Jesus, ninguém melhor do que a Sua Mãe retrata a imagem visível, o rosto de Deus…
Contemplando o rosto amoroso e misericordioso do Pai, revelado por Cristo, por ele que é imagem experimentável do Pai, facilmente chegamos a descobrir em Maria, Mãe de Jesus,  o rosto materno do Pai que está no céu…
Maria, no dizer de São Bernardo, é o “caminho real”  pelo qual Deus veio até nós e pelo qual nós podemos agora ir até Ele. Assim, o título “Mãe de Deus”  não só nos fala de Deus, mas nos revela também o verdadeiro rosto de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Deus é o primeiro devoto de Maria.  Pois Ela é uma maravilha, não por aquilo que Ela fez ou conseguiu, mas pelo que Deus realizou nela: Seu retrato mais perfeito.
Se realmente acreditamos que Cristo está dentro de nós e no meio de nós, então, a exemplo de Maria, seremos os portadores e testemunhas vivas de Jesus, seremos o “rosto filial” do Pai, porque irmãos e irmãs Daquele que é o rosto autêntico do Pai e Filho querido de Maria, nossa Mãe.