DUAS EXPERIÊNCIAS QUE SEMPRE ESTÃO EM NOSSO CORAÇÃO E NOS ACOMPANHAM DO NASCIMENTO ATÉ A MORTE.

Bom dia minha amiga e meu amigo.

DUAS EXPERIÊNCIAS QUE SEMPRE ESTÃO EM NOSSO CORAÇÃO E NOS ACOMPANHAM DO NASCIMENTO ATÉ A MORTE.

Ontem, ao final do retiro do Clero de nossa Diocese de Ipameri e Itumbiara, em Goiânia, quando eu estava saindo da casa de retiros Mãe Dolorosa, chegando perto do portão que dá para a rua, veio à minha mente o sentimento, como num estalar de dedos: “Esta é minha ÚLTIMA vez que faço este caminho como bispo diocesano de Ipameri”. Foram 20 Retiros anuais com meus Padres, neste tempo de imensas graças que o Bom, Bondoso e Misericordioso Deus me concedeu, realizados em Hidrolândia e Mãe Dolorosa.

Dei-me conta que já há 7 semanas vivo constantemente esta experiência “DA ÚLTIMA VEZ”, enquanto Bispo de Ipameri, MAS IMEDIATAMENTE TAMBÉM ME LEMBREI QUE TODAS ESTAS EXPERIÊNCIAS VIVIDAS, PARTILHADAS, VENCIDAS, >BOAS OU DIFÍCEIS < todas tiveram uma “PRIMEIRA VEZ” e a maioria INÚMERAS VEZES REPETIDAS.

TUDO É GRAÇA, TUDO É DOM DE DEUS.

Como num estalar de dedos, minhas memórias viajaram para uma experiência doída em que estava “sozinho”, eu, uma brasíla branca, estrada de areia, cerrado, pasto com muito gado e DEUS, em janeiro de 1985, quando voltava da “ultima missa” na Comunidade Olaria da Fumaça, interior do interior da Paróquia São João Batista do Itajá, Goiás. Eu havia iniciado aquela Comunidade 3 anos antes, quando eles lembravam do último padre que tinha rezado uma missa na Ponte do Guilhermão, mais ou menos 40 quilômetros de lá e isto, há mais de 35 anos antes. Naquela época, senti como se aquilo fosse uma pequena experiência de morte, mas logo pensei que SEM VIVER A EXPERIÊNCIA DA “ULTIMA VEZ”, SERIA IMPOSSÍVEL VIVER O NOVO, O NASCER E O ABRIR-SE A NOVOS HORIZONTES, E AQUILO ME DEU CONFIANÇA E FORÇA.

Ontem revivi conscientemente este mesmo sentimento, esta mesma experiência.

A VIDA É VIDA PORQUE É MOVIMENTO, PORQUE É DINÂMICA, PORQUE É UM CONTÍNUO MORRER E NASCER, ATÉ O MORRER DEFINITIVO PARA ESTA TERRA E O NASCER EM PLENITUDE PARA A FINALIDADE COM QUE DEUS NOS CRIOU, A ETERNIDADE, O CÉU.

Quando se AMA as pessoas, os lugares e os trabalhos onde se vive, “toda última vez”, é um sentimento de dor, de despedida, de separação, . . ., de morte. E isto mexe na alma, na emoção e no coração, MAS SABE-SE QUE É NECESSÁRIO, para que o novo possa acontecer.

Assim também vem à memória “todas as primeiras vezes”, todos os caminhos e lugares até então desconhecidos, as pessoas e Comunidades novas e os relacionamentos novos, as novas experiências e desafios a serem enfrentados. Todo novo “dá um friozinho na barriga”, dá insegurança, medo, faz tremer o coração, gera incertezas, angústias e medos. Dá um “suar as mãos” e isto é um sentimento muito bom. Tem aquele sentimento, Como será? Serei acolhido?, Vai dar certo? O que me espera? Quais os problemas? Dificuldades? O que terá de bom, gostoso e bonito? Vai ser tão bom quanto o que deixo? E por aí vão mil interrogações e sentimentos e isto também é um sentimento muito bom. É adrenalina pura e esta adrenalina vem sempre carregada de VIDA NOVA.

Escrevo tudo isso, partilhando o que foi minha “ultima viagem de volta para casa” que AINDA é minha casa por alguns dias e depois será de outro, porque daqui não levo nada a não ser o AMOR VIVIDO. Partilhei estes sentimentos humanos e de fé porque porque sei que todos que realmente querem VIVER, passam mais ou menos vezes por tudo isso também.

VIDA INSTALADA, VIDA IMOVÍVEL, VIDA ESTAGNADA É COMO ÁGUA PARADA. DEIXA DE GERAR VIDA NOVA.

A vida é um eterno movimento de morrer para renascer. Temos que “morrer” para o ventre materno, tão gostoso e aconchegante, para nascer para esta vida, ainda MUITO MELHOR. E a partir daquele instante, este processo se repete a cada segundo, a cada hora, a cada ano, até a “ULTIMA MORTE” para o “ÚLTIMO E DEFINITIVO NASCIMENTO”, a ETERNIDADE EM DEUS.

+ Guilherme Antonio Werlang Werlang

Posted in Dom Guilherme.