Tempo novo de novas esperanças!

Enfim, “aquele que era esperado” está entre nós, cheio de entusiasmo, pronto e disponível a colocar seu Lema Episcopal: “Para que todos tenham vida” (Jo 10, 10), a serviço da Diocese de Lages e do Povo de Deus que peregrina na magnífica e acolhedora Região Serrana no Planalto Catarinense.

Região mais fria do Brasil, porém, onde o céu é mais azul, o sol mais brilhante e o coração mais caloroso. Terra abençoada por Deus, onde cresce o pinheiro araucária (:“árvore-da-terra-do-povo-livre”); onde as macieiras e hortaliças transbordam de esperança e as montanhas e colinas se enfeitam de hortênsias e de alegria. Terra onde rios de Deus que vêm do alto derramam águas, e neves e gelos bendizem o Senhor!

Consciente da importância da água, indispensável à vida vegetal, animal e humana, Dom Guilherme, nascido em Região fluvial, será portador da “água viva” do Espírito de Deus ao povo que peregrina na Diocese de Lages.

Nunca é fácil esperar, pois a espera pode ser curta, breve, como pode ser longa, demorada…

Todos e todas nós, diocesanas e diocesanos da querida Diocese de Lages, rezamos, pedimos ao Senhor da Messe, fizemos novenas a Nossa Senhora, à espera de nosso 5º Bispo Diocesano. De um Bispo que correspondesse aos ideais das primeiras comunidades cristãs, no seio das quais reinava um só coração e uma só alma.

Nossa espera pelo 5º Bispo de Lages demorou pouco mais de um ano. Ainda bem que a impaciência da espera foi suavizada pela nomeação e anúncio do “esperado”.

Quando o amor é maior, o tempo de espera vai nos construindo por dentro e nos permite criar espaço no coração para quem está chegando.

Agora que fomos agraciados com a nomeação e posse de novo Bispo, não nos cansemos de orar por ele, para que a sua fé e seu ardor apostólico não desfaleçam (cf. Lc 22, 32). Aliás, Jesus mesmo disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5).

A Diocese de Lages está iniciando um novo tempo e tempo de novas esperanças e expectativas.

Minha intuição é a de que Dom Guilherme Antônio Werlang, M.S.F., colocará em prática o conselho do Papa Francisco, isto é, “às vezes, por-se-á à frente para indicar a estrada e sustentar a esperança do povo, outras vezes manter-se-á simplesmente no meio de todos com a sua proximidade simples e misericordiosa e, em certas circunstâncias, deverá caminhar atrás do povo, para ajudar aqueles que se atrasaram” (EG, 31).

Dom Guilherme vem em nome do Senhor, trazendo a indicação e propostas de novos caminhos na busca e na ânsia de levar a luz do Evangelho a todos os recantos da Diocese.

Saber despedir-se é preciso…

Cabe-me agora retornar ao deserto que atravessava antes de minha designação para Administrador Apostólico da inesquecível Diocese de Lages. Tenham a certeza, porém, de que todas e todos Vocês, queridas irmãs e queridos irmãos, continuarão presentes em meu coração e na oração.

Um dia, o Mestre convida os Apóstolos, agradecidos e felizes, que acabam de chegar de sua missão apostólica, a irem com Ele “para um lugar deserto” (cf. Mc 6, 31), isto é, para um encontro espiritual, íntimo, longe do barulho da rua e das preocupações do trabalho. Estar face a face com Deus é o melhor lugar para revermos caminhos, discernirmos projetos e encontrarmos novas respostas existenciais…

Cristo acolhe os Apóstolos pessoalmente, trocam impressões, explicam como as coisas se passaram para confrontar experiências, rever métodos, propor novas pistas, corrigir imperfeições, reforçar iniciativas que deram certo.

Não há ninguém ligado a Cristo e ao Evangelho que não necessite da experiência do deserto. “Vinde, a sós, e descansai um pouco!”. Deserto significa tempo de intimidade para aprendermos no silêncio a escutar o Senhor, que passa. Chega-se a uma determinada fase da vida em que fazer silêncio é preciso, interpor desertos é necessário para ouvir o que Deus tem a nos dizer. Só um coração despojado de tensões e ruídos, é capaz de um encontro amoroso com Deus em comunicação filial. Escutar a Deus em silêncio é a oração perfeita, a suma contemplação. Vinde, a sós, para esta nova casa feita de recolhimento, de intercessão, de oração.

A exemplo dos discípulos de Jesus, queremos caminhar unidos na mesma missão de passar para o outro lado das aparências. No silêncio do deserto se aprende a sabedoria de escutar o outro, comungando a Palavra e a Pessoa de Jesus.

            “Os Apóstolos se reuniram junto de Jesus e lhe contaram tudo o que tinham feito e ensinado” (Mc 6, 30). Deserto significa tempo de parada para a reflexão e revisão de vida e de caminhada. Para isso estivemos aqui. Continuaremos a rezar juntos, repensar caminhos percorridos e continuar à disposição do Reino. Queremos estar disponíveis à brisa suave que o Espírito Santo fizer passar em nossas meditações e reflexões.

O deserto não é fuga nem alienação. No silêncio com Deus ressoam todas as dores humanas e todos os apelos da vida. Se vamos para o deserto é para estar mais perto das pessoas; se escolhemos o silêncio é para falar melhor. De fato, andamos por demais saturados de agitação e ruídos, distraídos do único necessário. Sobram palavras; faltam silêncios. Em meio a tantos compromissos e atividades, há o perigo de esquecermos que o eixo essencial de nosso trabalho pastoral é o serviço do Reino de Deus.

Nos Corações de Cristo misericordioso, e de Nossa Senhora dos Prazeres, um abraço agradecido e uma especial bênção a todas e a todos.

Lages, março de 2018
Dom Nelson Westrupp, scj
Administrador Apostólico da Diocese de Lages

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