SIM, ELE É FILHO DO CARPINTEIRO JOSÉ E DE MARIA DE NAZARÉ (Cf MT 13,55)

 

Toda vocação cristã vem do chamado de Deus, sempre do mesmo Deus, portanto, todas têm a mesma origem e possuem a mesma dignidade e santidade. O que difere são os serviços, porque todas são chamadas para o serviço do bem comum. Portanto, desde já digamos uma vez por todas, vocação não é honra, nem mérito, mas graça.

 

Hoje, iniciamos, no Brasil, o mês vocacional, que neste ano jubilar traz como grande tema: “Peregrinos porque Chamados”. Assim, damos início a um tempo especial de oração e reflexão sobre as todas as vocações na igreja: chamado ou vocação para o batismo; Iniciação à Vida Cristã; ao Matrimônio – Vida Familiar – centenas de vocações para a Vida nos Ministérios de Leigos e Leigas; para os Ministério Ordenado; para Vida Consagrada Religiosa feminina e masculina. Aqui é importante destacar que a vocação para o Ministério Ordenado, nunca é a primeira vocação na vida da Igreja, Ela é precedida pela vocação comum do Batismo do Povo de Deus.

 

Quem é chamado, deve ser portador e peregrino de Esperança para a humanidade. Sempre que alguém chama uma pessoa, chama porque tem uma tarefa, tem um trabalho, tem uma mensagem a ser executada e levada para alguém, por isso toda vocação é Missionária.

 

Jesus, o Missionário – o Enviado Do Pai – é nascido na pequena e insignificante Belém; logo, na primeira infância, teve que ser emigrante para o Egito no lombo de uma mula, para fugir da morte violenta; ali teve que ficar escondido por alguns anos, vivendo no total anonimato; depois voltou com seus pais para Nazaré da desprezada Galileia do pagãos para ali ser criado. Seu pai – José – era apenas um pequeno artesão – carpinteiro – e sua mãe Maria, era a Maria do seu Zé Carpinteiro.

 

Jesus sempre foi um galileu  “leigo”. Não foi Levita, não foi Fariseu, Saduceu, não foi Sacerdote, Doutor da Lei e muito menos Sumo sacerdote. Herdou por trinta anos a profissão de um carpinteiro. Quando, porém, depois do batismo no Rio Jordão e aí receber o Espírito Santo, assume a missão para a qual foi enviado pelo Pai.

 

Aí, certo dia, sua vocação e missão são questionadas porque é o filho do carpinteiro José e porque sua mãe é uma das muitas Marias de Nazaré e todos os seus familiares são gente simples do povo.

 

“Povo” é toda a humanidade, são todas as Nações e “Povo de Deus” é nossa Igreja. Esta é a definição que o Concílio Ecumênico Vaticano Segundo dá para a Igreja no mundo. Assim, a Igreja não existe para si mesmo, mas para ser envidada para o povo – mundo, humanidade. Toda vocação vem do meio do Povo, não importa se é das periferias, nas Nazarés, das Galileias, de famílias bem constituídas ou de qualquer tipo e forma de Família, porque quem chama é Ele, quem dignifica é Ele, Quem dá a missão é Ele e quem envia é Ele. Na Carta aos Hebreus, capítulo 5, lembra que todo (sacerdote), digamos aqui, VOCACIONADO, é chamado do meio do povo, e constituído em favor do povo.

 

Sim, o maior vocacionado e Peregrino de Esperança e da Esperança, é o humilde Filho de José e de Maria, da periférica Nazaré da Galileia.

 

Não importa a origem do vocacionado e da vocacionada, nem da constituição familiar. Você também é um chamado, um Vocacionado de Deus. E Ele te chamou para a vida, para a vida cristã e na vida cristã, te constituiu Peregrino da Esperança para o bem comum. “Não Diga Não a Deus, nem dê meia resposta. Ninguém deve ter medo ou se achar indigno, porque Vocação é Graça e quem dignifica e capacita não somos nós, mas Ele. Ao chamado – basta a Graça dEle.

 

Rezemos, de forma especial, neste mês de agosto, por todas as vocações e por todos os vocacionados e vocacionadas.

 

+ Guilherme Antonio Werlang – msf