Na manhã do sábado, 06 de setembro, cerca de 150 pessoas reuniram-se na Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Igreja do Navio, em Lages, para o Grito dos Excluídos e a Peregrinação das Pastorais Sociais 2025, que teve como tema “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”.
O encontro contou com a presença de lideranças das pastorais sociais, integrantes das Equipes de Nossa Senhora, além de representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Acolhida e espiritualidade
O bispo diocesano, Dom Guilherme Antônio Werlang, MSF, acolheu os participantes, lembrando que todos podem ser profetas ao levantar a voz em defesa da vida e da justiça. A espiritualidade inicial foi conduzida pela Pastoral da Juventude e pela Pastoral da Criança, que animaram o momento de oração e reflexão.
Reflexão de Dom Cappio
Em seguida, o bispo emérito da Diocese da Barra (BA), Dom Frei Luiz Flávio Cappio, apresentou a palestra principal. Ele lembrou que a exclusão social acompanha a história do Brasil desde a chegada dos colonizadores. “O primeiro excluído foi o indígena, quando chegaram os colonizadores. Desde então, muitos outros grupos foram sendo deixados de lado, e até hoje vemos os efeitos dessa realidade”, afirmou.
Para Dom Cappio, o tema da peregrinação expressa um compromisso permanente. “Democracia é luta de todo dia. Independentemente de partidos, ideologias ou posições políticas, precisamos respeitar o Estado democrático de direito. Ele merece nosso cuidado e não pode ser ameaçado. Toda tentativa de desestabilizar a democracia deve ser rejeitada”, destacou.
Ele também recordou sua trajetória missionária no sertão da Bahia e fez memória da espiritualidade franciscana como fonte de inspiração. “São Francisco de Assis, mesmo doente e cego, compôs o Cântico das Criaturas, louvando a Deus por toda a criação. Essa obra nos inspira até hoje e é a base da Campanha da Fraternidade de 2025. Ecologia integral não é apenas cuidar da natureza, mas de todas as dimensões da vida: a cidade, o trabalho, a família, a cultura e a espiritualidade”, explicou.
Ao final, reforçou o chamado do Papa Francisco a uma verdadeira conversão ecológica. “Todos somos corresponsáveis pelo cuidado com a Casa Comum. Precisamos de mudança de mentalidade, de atitudes e de estilo de vida. Essa conversão começa no cuidado de cada um consigo mesmo, com sua família, com sua cidade e com o planeta. É um chamado à solidariedade, à fraternidade e à cultura do amor e da paz”, concluiu.
Caminhada de fé e compromisso

Após a palestra, os participantes seguiram em peregrinação até o Morro da Cruz, com paradas em diferentes pontos. Cada estação foi preparada por uma pastoral, que trouxe reflexões ligadas à justiça social, à dignidade humana e à ecologia integral. O percurso teve a participação da Pastoral Afro, Pastoral PPI, Cáritas, Pastoral da Criança, Pastoral Carcerária, Pastoral da Saúde e projetos sociais da Diocese.
No alto do Morro, mesmo com muito frio e evento, uma dinâmica com o lema “Ninguém pode ficar para trás”, organizado pela coordenação do Fórum dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, reforçou o compromisso coletivo na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e inclusiva. Em seguida, foi servido o almoço, preparado pela Igreja do Navio.
Celebração Eucarística
A peregrinação foi concluída com a Missa de encerramento, presidida pelo Pe. Elmar José Lenhard. Em sua homilia, ele destacou a importância da união das pastorais, utilizando a narrativa Aventura na Floresta para mostrar que, assim como os animais que se unem diante de uma ameaça, também as comunidades precisam caminhar juntas no cuidado com a vida e com a Casa Comum.
Um sinal de esperança
O Grito dos Excluídos 2025 em Lages foi marcado pela oração, partilha e compromisso social. Mais do que um evento, tornou-se um sinal de esperança e unidade, lembrando que a defesa da democracia, da justiça social e do meio ambiente é responsabilidade de todos.












