“VÓS SOIS ESTE SANTUÁRIO DE DEUS” (1Cor 3,17)
Por Dom Guilherme Werlang msf
Hoje, dia 09 de novembro – coincidindo com Domingo – Dia do Senhor – a Igreja Católica do Rito Romano, celebra a Dedicação da Basílica do Latrão – Catedral da Diocese de Roma, portanto, a Catedral do Bispo de Roma que sempre é também o Papa.
A Palavra de Deus, nas três leituras bíblicas, vai falar dos Templos.
Na primeira leitura, tirada do livro da profecia de Ezequiel, capítulo 47 vai dizer que debaixo do altar- dos subterrâneos – do Templo, saem, pelas portas, ÁGUA. Esta ÁGUA É UMA “ÁGUA VIVA”, quer dizer, onde ela chega, LEVA VIDA. Quando ela chega no mar salgado – o Mar Moto – estas águas mortas se tornarão saudáveis, portanto, gerarão VIDA. As águas deste rio que nasce nos subterrâneos do Templo e de seu ALTAR, por onde passam GERA VIDA, tanto nas águas quanto nas suas margens.
No Evangelho de São João 2,13-22, por ocasião da Páscoa dos judeus, Jesus vai ao Templo de Jerusalém, de onde deveria nascer a VIDA para todos, mas que havia sido profanado e prostituído, porque tinha se transformado em Templo de NEGÓCIOS e de enriquecimento para os que “serviam” no Templo, especialmente a classe sacerdotal e dos levitas. Lá o dinheiro estrangeiro, devia ser cambiado para o “dinheiro santo e puro” dos judeus. Por isso, Jesus faz um chicote, derruba as mesas dos cambistas – trocadores das moedas estrangeiras – sempre com muitos lucros no câmbio, expulsa os NEGOCIADORES de vendas de pombos, bois, ovelhas e de tudo que era negociado para servir de óbulo, para as ofertas dos sacrifícios e holocaustos a serem oferecidos sobre o ALTAR. Porém, do ALTAR do Templo de Jerusalém, já não saia mais VIDA, mas OPRESSÃO, INJUSTIÇA E MORTE.
Jesus, referindo-se a si mesmo e a seu corpo, COMO TEMPLO VIVO que veio para trazer VIDA EM ABUNDÂNCIA para todos, especialmente para os pobres, os doentes, e todos os marginalizados, diz: “DESTRUÍ ESTE TEMPLO, E EM TRÊS DIAS EU O RECONSTRUIREI”. Referia-se a “destruição de sua vida, de seu corpo, na cruz- e sua vida nova na RESSURREIÇÃO. Três anos depois, quando isto aconteceu, e seus discípulos lembraram dessa Palavra, ACREDITARAM NAS ESCRITURAS E NELE e que ELE É O TEMPLO VIVO QUE DÁ A VIDA NOVA AO MUNDO.
Na segunda leitura, carta de São Paulo à Igreja – Comunidade – de Corinto, diz que a COMUNIDADE CRISTÃ é a “lavoura de Deus”, portanto, deve produzir FRUTOS DE Deus e gerar VIDA. Em seguida afirma que ele, Paulo, lançou nesta cidade e Comunidade um ÚNICO ALICERCE que é JESUS CRISTO RESSUSCITADO E SUA PALAVRA. É sobre este ALICERCE que a Comunidade deve ser edificada e sobre nenhum outro. Esta EDIFICAÇÃO será o novo TEMPLO E SANTUÁRIO DE DEUS E SERÁ MORADA DO ESPÍRITO SANTO. Pergunta então à Comunidade: “Vós não sabeis o SANTUÁRIO – templo – onde o Espírito Santo mora, é construído com pedras vidas, que é cada membro da comunidade?
Agora vem a afirmação mais forte: “Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, pois o santuário de Deus é santo, E VÓS SOIS ESTE SANTUÁRIO”.
Como estão nossas “capelas, santuários, igrejas matrizes, basílicas e catedrais”, onde nossas Comunidades se reúnem para o culto a Deus, onde fazem suas oferendas, ofertam seus dízimos, realizam-se as celebrações das festas religiosas? Destes lugares e estes templos de alvenaria, de madeira ou pequenas tendas, acontece GERAÇÃO DE VIDA, brota “ÁGUA VIVA”?
Se um vândalo ou grupo de pessoas, quebrar ou pichar portas, paredes, altar de mármore, profanar estes “templos’, vira notícia e ocorrência policial, e, vai-se até as últimas consequências até descobrir e punir estes agressores. Mas quando OS TEMPLOS E SANTUÁRIOS VIVOS QUE SÃO AS PESSOAS, SÃO MASSACRADOS, AGREDIDOS, VIOLENTADOS, DE MIL FORMAS, QUEM SE IMPORTA, QUEM OS DENUNCIA, QUEM OS PUNE.
São Paulo afirma: “Quem destruir o santuário onde Deus mora, Deus o destruirá”.
Os Templos, desde a mais simples capela, capitel, oratória, até as majestosas catedrais, basílicas e os santuários, só se justificam se deles e delas sair “ÁGUA VIVA” e que gera vida até no “mar morto” das instituições de Estado e das Nações que, em nome de Deus, fazem matanças e guerras, desde a fome, drogas, milícias armadas até os foguetes e amas atômicas.
Cada um de nós, se somos discípulos e seguidores de Jesus Cristo, somos uma pequena “pedra viva” na edificação do Santuário onde Deus deseja morar.