TEXTO DE DOM GUILHERME: HÁ QUARENTA E SEIS (46) ANOS EU DISSE: “EIS -ME AQUI! ENVIA-ME” (IS 6,8)

 

 

Era manhã do dia 02 de dezembro de 1979, Primeiro Domingo de Advento, na Comunidade de São Sebastião, São Carlos, SC, sol quente, céu de brigadeiro.

Na ENCRUZILHADA das estradas municipais de São João e Morais para Cunhataí e de Bela Vista para São Roque, sobre o BARRANCO DA ESTRADA FOI COLOCADO O ALTAR DA CAPELA E EU RECEBI O SACRAMENTO DA ORDEM NO GRAU DE PRESBÍTERO.

As fotografias da época mostram ao fundo a roça de milho já em pendão, em flor. Um bispo profeta, firme, mas humilde e simples – Dom José Gomes – com suas vestes litúrgicas de Túnica e Estola, Solidéu Surrado e Mitra sem brilho pelos muitos anos de uso, Cajado de Pastor e um Anel de Tucum, talvez uns 20 a 30 padres, religiosas/os e uma multidão de leigos e leigas, todos de pé na estrada e pátio do salão de festas da Comunidade, EM ORAÇÃO E CANTOS.

Talvez, se fosse hoje, teria gente perguntando: “MAS ISSO É PERMITIDO E É VÁLIDO?” Cada tempo é um tempo. Gostaria de dizer, há tempos melhores ou menos bons, mas quem sou eu para julgar? SÓ SEI QUE TUDO ESTÁ MUITO DIFERENTE e há mil explicações. Não vou aqui entrar em nenhum mérito de validade, de “melhor ou pior”, mas, na época, podia ser assim. Era um jeito de compreender e de SER Igreja. As ordenações eram, em sua maioria, nas Comunidades onde a família do candidato morava, mesmo nos sítios ou roças, quase sempre com suas capelas pequenas demais para estas celebrações.

Muitos eram ordenados em missas campais, outros em cima de caminhões, outros em ginásios, outros até em igrejas matrizes ou capelas do inteiro. EU, PORQUE A CAPELA SÃO SEBASTIÃO, MESMO NÃO TÃO PEQUENA, FICOU MUITO PEQUENA DIANTE DA MULTIDÃO VINDA, FUI ORDENADO EM CIMA DE UM BARRANCO DE ESTRADA. EU SAÍ DA ROÇA, MAS JAMAIS A ROÇA SAIU DE MIM.

 

O fato é que eu assumi como Lema, da profecia de Isaías: “EIS-ME AQUI! ENVIA-ME”. Graças a bondade e força de Deus, eu nunca disse não, a um pedido da Congregação dos Missionários da Sagrada Família e da Igreja.

Hoje, 46 anos depois, no terceiro dia do Advento, “Jesus exulta de alegria no Espírito Santo e reza: Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequenos”.

Muitos mais que com estudos, para acolher e compreender os valores do Reino de Deus, precisa-se um coração simples e humilde. Somente quem é pequeno diante do mundo e de Deus pode acolher o Reino de Deus.

HOJE, transcorridos 46 anos no Ministério recebido, não por mérito, mas por vontade e graça de Deus, aqui estou, e digo diante de Deus, sempre fiel ao meu lema de ordenação: “EIS-ME AQUI! ENVIA-ME”!  Está chegando o dia 27 de dezembro e será novamente hora de partir.

Lembro sempre que nos momentos mais cruciais e difíceis de minhas transferências, nas liturgias, vinha o texto do Livro do Gênesis 12,1 onde Deus diz a Abrão: “SAI DA TUA TERRA, DA TUA PARENTELA, E DA CASA DE TEU PAI, E VAI PARA A TERRA QUE EU TE MOSTRAR”.

Assim, estou eu depois de 46 anos, pronto para NOVAMENTE PARTIR. Para onde? AINDA NÃO SEI, mas vou “Para que todos tenham vida”. Irei com a mesma alegria, disponibilidade do jovem de então, que deixou pai, mãe, irmãos, terra de São Sebastião, parentes e amigos, afinal, DESEJO CONTINUAR SER PEREGRINO DE ESPERANÇA E ANUNCIADOR DA BOA NOTÍCIA DE JESUS: “O REINO DE DEUS ESTÁ NO MEIO DE VÓS”.

O importante, para quem crê em Jesus Cristo e tem consciência que é consagrado e ungido desde o batismo, não é ser leigo/a religioso/a, diácono, padre ou bispo. O importante ou essencial é ESTAR A SERVIÇO NO SERVIÇO QUE ELE NOS INDICAR.

Obrigado Senhor, porque o Senhor me amou, me escolheu, me chamou, me consagrou e me enviou ATÉ AQUI. Se desejar, Senhor, conte comigo enquanto assim quiser, para onde quiser e no SERVIÇO que quiser.

+ Guilherme Antonio Werlang – msf