Bispos refletem sobre desafios do tempo presente no terceiro dia da Assembleia da CNBB

No terceiro dia da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Aparecida (SP), nesta sexta-feira, 17 de abril, os bispos participaram de dois importantes momentos de reflexão: as análises de conjuntura social e eclesial. As atividades ajudaram a aprofundar a compreensão dos desafios atuais e suas implicações para a missão evangelizadora da Igreja no Brasil.

A Diocese de Lages está representada pelo bispo diocesano, Dom Gilson Meurer, e pelo bispo emérito, Dom Guilherme Werlang, que também participa da Assembleia mesmo estando em missão no Amazonas .

A análise de conjuntura social foi conduzida por dom Francisco Lima Soares, que destacou a necessidade de uma leitura atenta da realidade, marcada por interconexões entre crises globais e locais. Entre os temas abordados estiveram os conflitos internacionais, como as tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, as disputas geopolíticas, além de questões ambientais, econômicas e democráticas.

No contexto brasileiro, foram ressaltados desafios como o desgaste da democracia, o cenário eleitoral, a realização da COP 30 e os conflitos ligados à regulação ambiental, além de uma economia considerada resiliente, porém cercada de incertezas.

Já a análise de conjuntura eclesial, apresentada por dom Joel Portella, refletiu sobre o tema “Evangelizar em tempos de pós-cristandade”. O estudo apontou que o Brasil continua sendo um país religioso, mas cada vez mais plural, com vínculos mais frágeis e identidades em transformação.

Entre os desafios, destacam-se as chamadas “policrises”, que atingem dimensões como linguagem, pertencimento e sentido da vida. A reflexão também evidenciou o crescimento do fenômeno de pessoas que creem, mas não assumem compromisso comunitário.

Diante desse cenário, os bispos foram convidados a fortalecer uma ação evangelizadora centrada na fraternidade, na solidariedade e na sinodalidade, buscando incidir de forma concreta na realidade.

As análises integram a programação da Assembleia e contribuem para o discernimento dos caminhos pastorais da Igreja no Brasil, especialmente na construção das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.