“QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO” – reflexão do Bispo Emérito

 

O IBGE – portanto, números oficiais, publicou ontem que os 10% mais ricos do Brasil concentram 40% da renda no Brasil. Assim os outros 90% tem que dividir entre si, entre classe média e pobreza, os 60% restantes. Os dados da pesquisa mostram que “o rendimento médio da camada mais rica equivale a 13,8 vezes a dos 40% mais pobres”. A pesquisa mostra que no geral, a renda média dos domicílios brasileiros melhorou um pouco no ano de 2025. Mesmo assim, os números revelam que a DESIGUALDADE SOCIAL VOLTOU A AUMENTAR. Como se explica isto? É que  a mesma pesquisa mostra que o RENDIMENTO MÉDIO dos mais ricos avançou muito mais rápido e  é maior que as dos pobres, equivalendo a 13,8 vezes a rendo dos 40% mais pobres.

Em outras palavras: O Brasil está entre as MAIORES ECONOMIAS DO MUNDO. Estava em 10º lugar, mas em 2025 foi ultrapassado pela Rússia e agora está em 11º lugar.

Em 2025 o PIB brasileiro atingiu os impressionantes US$ 2,27 trilhões (dólares). Isto significa em Reais, aproximadamente entre 11 e 12 trilhões, dependendo da oscilação do câmbio da moeda.

Então, com tanta RIQUEZA, como explicar ou compreender o Brasil ter ainda tanta pobreza e miséria? Segundo dados divulgados pela pesquisa do “World Inequality Lab” em dezembro de 2025, o BRASIL ocupa o QUINTO (5º) lugar entre os países MAIS DESIGUAIS ENTRE OS 216 PAÍSES PESQUISADOS, considerando a CONCENTRAÇÃO DE RENDA. Na pesquisa mundial o índice “GINI” – principal medidor das desigualdades e outros índices, revelam que o “topo da pirâmide social capturou em 2025, 60% da renda” no Brasil.

Tudo isto me fez lembrar da fábula: “QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO”, escrita por Spencer Johnson em 1998.

A fábula conta a história de dois ratos e dois humanos em um labirinto, onde o queijo simboliza nossos objetivos e o labirinto representa os desafios do dia a dia. O autor conta na história como estes quatro personagens buscam queijo para se alimentar. Os ratos Sniff e Scurry seguem seus instintos simples, mas sempre atentos a tudo. Já os dois humanos – Hem e Haw – dependem de sua inteligência e emoções complexas.

Após muita procura, os quatro ENCONTRAM UM DEPÓSITO IMENSO E ABUNDANTE DE QUEIJOS. Os ratos mantêm seus instintos afiados, mas os humanos se acomodam, acreditando que o queijo durará para sempre. Com o tempo, o queijo acaba de repente.

Diante do grande estoque de queijos ter terminado – talvez sumido – os humanos e os ratos reagem completamente de forma diferente.

Os ratos não perdem tempo e imediatamente percorrem o labirinto à procura de um novo estoque. Enquanto isto, os humanos ficam paralisados pela frustração e pelo medo de entrar no labirinto.

Reclamam da injustiça, se lamentam e ficam presos ao passado, esperando que o queijo antigo volte magicamente. Porém, Haw, um dos dois humanos, depois de um tempo e a fome apertando, decide superar a preguiça, superar os medos do labirinto, cai na realidade e acredita que POSSAM EXISTIR OUTROS ESTOQUES DE QUEIJOS, mas eles devem ser procurados e buscados, porque não vai encontrar se ficar parado esperando que o “queijo caia do céu”.

Nossa riqueza está aí, mas quem vai alcançá-la para nós? Quando há duas semanas vi a Desembargadora do Pará, Dra. Eva do Amaral Coelho, dizendo que “a magistratura caminha para um regime de escravidão, fico pensando, finalmente alguém está mexendo NO QUEIJO de alguns ladrões de QUEIJOS DO POVO. A Desembargadora chora pelo corte dos famosos PENDURICALHOS, quando seu salário bruto foi em 2025 de 117.800, 00 reais e líquidos 85.000,00 reais. Aqui nem vou entrar nos políticos e outros tantos que seguram 60% de todo QUEIJO e que por isso não chega na mesa do POVO.

Em que virou o 1º de maio por parte dos grandes sindicatos que foram de lutas? Virou festa, música, sorteios de prêmios, bajulação, com algumas pequenas manifestações de rua. Quanto ganha um presidente de Sindicato? de que lado vai se colocar na negociação?

Acomodados, medrosos, sem ir à luta, a DESIGUALDADE NO 11º PAÍS MAIS RICO DO MUNDO, não vai superar nossa criminosa DESIGUALDADE.

+ Guilherme Antonio Werlang – msf