
«Se Cristo não ressuscitou, vazia é nossa pregação, vazia a vossa fé», diz S. Paulo na 1Cor 15,14. O cerne da fé e da pregação cristã é a ressurreição de Cristo. A experiência de ver Jesus Cristo vivo, depois de ter sido morto por flagelação e cruz, foi sinal evidente de que o mestre de Nazaré, sábio em palavras, potente em obras, era mais do que o «messias esperado», mas uma teofania, uma presença concreta de Deus. A ressurreição transformou as palavras de Jesus, até então acolhidas como humanas, em Palavra de Deus; seus milagres, até então vistos como um poder sobre doenças e elementos da natureza, em sacramentos do Reino de Deus (o Reino sem males); suas denúncias à hipocrisia religiosa de seu tempo na revelação da religião que Deus quer: misericordiosa, servidora, simples, acolhedora, comprometida com o bem, com o perdão, com a paz. Crer na ressurreição transforma a compreensão que temos de Jesus: não apenas um homem revolucionário, um mero ser de luz, um mestre inteligente, um reformador religioso, ou político ou social, mas o Senhor, Filho do Deus vivo, vencedor do pecado e da morte.
A ressurreição, em certo sentido, perpassa toda nossa vida. O que seria da medicina se não acreditássemos na saúde após uma doença; o que seria da educação se não acreditássemos na recuperação após uma nota ruim; o que seria das interações sociais se não acreditássemos na reconciliação após uma ofensa. A vida é feita de «ressurreições», compreendidas como superação do mal, motor de esperança, sinal de vitória. Todas elas, contudo, são «sabor de ressurreição», enquanto afrontam consequências relativas do mal, consequências que em seu tempo são perdoáveis, sanáveis, recuperáveis. Mas a morte era a expressão do mal no seu poder final e total, aniquilador, fim de toda esperança (pois somente enquanto há vida, há esperança). Mas após a ressurreição de Jesus, até mesmo onde há morte, há esperança. Jesus venceu a morte. Precisou morrer, quis morrer, aceitou morrer, para trazer ao ser humano a vida em abundância, em sua plenitude e eternidade.
Todos podem crer num amanhã, mesmo nas provas mais difíceis da vida, mas crer no Amanhã, expressão da vida eterna e plena, somente quem crê que Ele vive, que Ele ressuscitou!
Dom Gilson Meurer