
O bispo de Lages, Dom Gilson Meurer, publicou reflexão sobre o Dia de Pentecostes, celebrado pela Igreja neste domingo, dia 24 de maio. Acompanhe!
No encerramento do tempo pascal, precisamente após 50 dias, celebramos Pentecostes, como o próprio nome indica. Segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, nesse dia, com a cidade de Jerusalém lotada de peregrinos de toda parte do império para celebrar essa festa judaica, o Espírito Santo veio sobre os discípulos como línguas de fogo em meio a um vento forte (At 2,1ss). Os discípulos se encheram de coragem, força e ânimo, e começaram a anunciar Jesus Cristo, sua vida, morte e ressurreição. Começa a era da missão e do testemunho do Evangelho.
É nesse contexto e com a esperança de ver acontecer as maravilhas de um novo Pentecostes que celebramos o sacramento da Crisma de muitos de nossos jovens. Em celebrações vivas e bem organizadas, moços e moças, adolescentes em sua maioria, após um tempo precioso de catequese, recebem o Espírito Santo pela imposição das mãos e pela unção com o óleo do Crisma. Com isso, o Espírito Santo, dom de Deus, é invocado sobre eles para também receberem essa força do alto, para viverem a vida com fé, alegria, ânimo e coragem. Na oração de imposição de mãos, suplica-se a Deus que envie o Espírito Santo paráclito, que significa defensor, advogado. É a força de Deus que nos defende das insídias do mal. Se temos o Espírito Santo, não precisamos temer nenhum outro espírito. Igualmente suplica-se pelos seus sete dons (elenco inspirado em Is 11,1-3): inteligência, conselho, sabedoria, ciência, fortaleza, piedade e temor de Deus. O número sete é simbólico, pois, de fato, o Espírito Santo, fonte de infinitos dons, nos dará aquele que mais precisamos para permanecermos no caminho da fé. Ora inteligência para discernir o bom caminho, ora sabedoria para entender a profundidade das nossas decisões, ora ciência para pensarmos o que é justo, ora conselho para tomarmos a melhor decisão, ora fortaleza para praticar o que é certo, ora piedade para rezarmos com fé, ora temor de Deus para nunca negligenciarmos seus mandamentos; ora também a capacidade de viver as virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade; ora ainda Ele, «doce hóspede da alma», nos ajudará a colocarmos em prática as virtudes cardeais da prudência, justiça, coragem e temperança, que revelam uma vida integrada na fé.
Que nossos jovens, a quem desejamos o melhor, possam receber esse presente, dom do alto céu, e colaborarem por uma Igreja e sociedade mais fraternas, pacíficas, justas, humanas, misericordiosas, obra do Espírito Santo que Jesus nos envia de junto do Pai.
Dom Gilson Meurer