TEMPO DE PRÉ-CAMPANHA POLÍTICA ELEITORAL – DOM GUILHERME ANTONIO WERLANG, MSF

TEMPO DE “PRÉ-CAMPANHA POLÍTICA ELEITORAL”

 

Estamos em tempo de “pré-campanha política eleitoral”, e temos “acendedores de velas” para todos os santos e em todas as Igrejas, no sentido de buscar votos dos fiéis. Até temos alguns padres e muitos pastores e pastoras que nesse tempo transformam o Púlpito e Mesa da Palavra de Deus em palanques políticos partidários ou de candidatos e candidatas.

Tenho visto recentemente em algumas cidades onde Senadores e Deputados – no plural, candidatos a reeleição ou primeira eleição e candidatos a Governadores e Presidente na mesma condição, fazer peregrinação e romaria em Santuários, missas e cultos. Em festas de Santos ou festas municipais, temos políticos que, são “donos e proprietários” de Igrejas, mas também deputados ou senadores fazerem pregações, usando o santo nome de deus em vão, para buscar votos e poderem “mamar nas gordas tetas” do dinheiro público por mais quatro ou oito anos. 

Temos candidatos e candidatas católicos que participam da “Marcha para o Senhor Jesus”, maior evento evangélico e temos evangélicos que participam de romarias católicas e visitam até Santuários Marianos, para buscar votos, mas ao longo do ano, em seu dia a dia ou depois de eleitos ou reeleitos, praticamente não têm uma vida realmente cristã. Destaco aqui que vida cristã, antes e muito mais que ir a cultos ou missas é uma vida vivida seguindo os Valores do Evangelho.

Em muitos lugares ouve-se de palanques ou púlpitos: “nossa cidade é do Senhor Jesus“!

Com todo respeito que devo ter com os irmãos e minhas irmãs que são membros e fiéis de outras Igrejas Cristãs, há muitas organizações que se auto intitulam “igrejas”, mas que têm muito pouco do que é característico de toda e qualquer Igreja. Realizam eventos em muitas de nossas cidades proclamando aos quatro ventos, “nossa cidade é do Senhor Jesus“. Até temos Movimentos da Igreja Católica que apresentam “seus” candidatos e quase “obrigam” os membros desses Movimentos a votarem neles.

Quando um pregador, seja ele político ou de uma determinada Igreja gritar quase com histeria, como se Deus fosse surdo: “nossa cidade é do Senhor Jesus”, é uma tremenda falta de respeito como todos os cristãos e cristãs de Igrejas sérias que por vezes foram até fundadores daquela cidade há décadas ou mesmo séculos.

Alguns até deram nome de santos ou santas às próprias cidades, ou com algum título de Jesus. Colocaram lá seus templos, os poderes públicos da época da fundação da cidade até escolheram e votaram em suas Câmaras de Vereadores, Santos Padroeiros, e eis que de repente, ignorando toda esta história, algum “pastor” querendo fazer crescer seu rebanho  coloca carro de som nas ruas conclamando todos os cidadãos e cidadãs, de todas as denominações religiosas já existentes, para participarem de “Grande show de Fé e Milagres” com a presença deste ou daquele político, com bandas musicais, para daquele dia em diante, sob seu domínio, dizer que “agora esta cidade é do Senhor Jesus“.

Quando isto é usado em pré-campanhas eleitorais, enganadores do povo é o que são. Meu irmão e minha irmã, na minha opinião, o que diz se uma cidade, estado ou país “é do Senhor Jesus“, não são a quantia de templos (igrejas), de Padres ou Pastores, nem a quantia de prefeitos, vereadores, deputados estaduais ou federais, senadores, governadores ou presidente da República. O que confirma e demonstra se esta ou aquela cidade, estado ou país “é do Senhor Jesus”, não são shows de fé ou falsos milagres de curas ou prosperidades individuais e que em nada mudam a vida daquela cidade, estado ou país.

O que confirma se algo, alguém ou algum lugar “é do Senhor Jesus” é a prática da justiça, da caridade e da misericórdia.  Toda fé sem obras é morta, conforme já nos adverte o Apóstolo São Tiago 2,14-26. São as obras de justiça, caridade e misericórdia e não discursos, cultos, missas, batizados, devoções ou festas religiosas de santos que dizem se nossa cidade, estado ou país “é do Senhor Jesus”. Não nos deixemos enganar por discursos, nem por acendedores de velas nas diversas igrejas ou presença em marcha para Jesus ou romarias católicas.

 

+ Guilherme Antonio Werlang – msf