No dia de hoje ocorre a festa litúrgica do nascimento ao céu (falecimento) de Santa Paulina, nome de batismo, Amábile Lúcia Visintainer. Beatificada em 1991 pelo papa S. João Paulo II, em Florianópolis, e Canonizada em 2002, foi uma jovem que nasceu na Itália, mas migrou com a família aos 10 anos para Nova Trento/SC, nos idos de 1875. De família pobre e sem muitos estudos, viveu na simplicidade da vida dos agricultores da época e, revelando grande altruísmo, cuidava dos enfermos e ajudava na catequese paroquial.
Contando com a colaboração de outras amigas, Amábile decide se consagrar a esse serviço em uma congregação feminina, que ela e suas companheiras mesmo fundaram. Em 1895 nasce a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, em Nova Trento. Em 1903 ela se muda para São Paulo, Ipiranga, para fundar uma outra casa para o cuidado de órfãos e ex-escravos abandonados. Depois de longa e sofrida enfermidade, cega e com diversos membros do corpo amputados pela diabete, falece em 9 de julho de 1942.
Seu nome religioso era Paulina do Coração Agonizante de Jesus. A escolha desse nome é reflexo de uma vida voltada para a agonia dos sofredores com as quais ela viveu. Leva de imigrantes europeus, geralmente camponeses muito pobres, vieram atrás das promessas do governo imperial brasileiro por terras que, na realidade, já possuía povos indígenas (com a chegada dos portugueses e espanhóis na américa, todos os povos originários perderam a posse da terra, e se tentassem defendê-la, eram mortos). Agonia, dor, sofrimento, morte, pobreza extrema, eram visíveis nos anos iniciais da colonização (consequências ainda permanecem).
A doença era outra chaga que as comunidades rurais do passado (mais ainda do que hoje) sofriam por falta de hospitais, clínicas, médicos e medicamentos. Tudo era improvisado, caro, e qualquer ajuda dos centros urbanos tardava chegar. Amábile viu agonizantes, moribundos, gemer em seus leitos suplicando algum remédio, quando não a morte. Seu coração generoso une-se ao coração agonizante de Jesus pela agonia dos enfermos. Sim, Jesus sofre com os enfermos! Se em seu poder ele permite o sofrimento dos que ama, foi porque nos amou conquistando nossa redenção por meio de muito sofrimento na cruz. Quiçá Deus não elimina todo o sofrimento humano porque nele nascem nobres valores: perseverança, paciência, fortaleza e fé de quem sofre, e solidariedade, compaixão, proximidade de quem assiste. A fortaleza no sofrimento nos faz mais maduros, a solidariedade com os sofredores nos faz mais humanos, a fé durante o sofrimento nos aproxima de Deus. S. Paulina do Coração Agonizante de Jesus, rogai por nós!
Dom Gilson Meurer, Bispo Diocesano de Lages