


Cerca de 40 lideranças de pastorais e movimentos da Diocese de Lages participaram, no sábado (25), da III Etapa da Escola Diocesana de Doutrina Social da Igreja, realizada no Centro de Formação Católica. Assessorado pelo coordenador diocesano de pastoral, Pe. Reginaldo Pereira, o encontro refletiu sobre o tema “Uma Igreja a serviço do desenvolvimento, da justiça e da paz”, aprofundando as encíclicas Mater et Magistra (1961) e Pacem in Terris (1963), de São João XXIII.
A formação revisitou documentos históricos e mostrou como seus ensinamentos permanecem atuais diante das transformações sociais, econômicas, culturais e tecnológicas do século XXI. Logo no início da assessoria, Pe. Reginaldo provocou os participantes ao afirmar que “o problema de 1961 continua em 2026”, evidenciando que muitas das desigualdades denunciadas pela Igreja permanecem presentes, embora assumam novas formas.
Publicada por ocasião dos 70 anos da Rerum Novarum, a Mater et Magistra reafirma a missão da Igreja como mãe e mestra, chamada a iluminar as realidades sociais à luz do Evangelho. A encíclica ensina que o verdadeiro desenvolvimento não pode ser medido apenas pelo crescimento econômico, mas pela promoção integral da pessoa humana.
Durante a formação, Pe. Reginaldo destacou que, se nos anos 1960 os desafios estavam ligados à industrialização e às desigualdades entre campo e cidade, hoje surgem novas questões, como a inteligência artificial, a economia de plataformas, a precarização das relações de trabalho, a crise ambiental e os impactos da tecnologia na vida humana.
A partir desse paralelo, o assessor recordou que o progresso só encontra seu verdadeiro sentido quando está a serviço da dignidade humana. A reflexão também abordou princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja, como a dignidade da pessoa, o bem comum, a solidariedade, a subsidiariedade, a participação social e a opção preferencial pelos pobres, mostrando que a fé cristã deve traduzir-se em compromisso concreto com a justiça e a transformação da realidade.
Na segunda parte da formação, dedicada à Pacem in Terris, os participantes aprofundaram os quatro pilares da paz apresentados por São João XXIII: verdade, justiça, amor e liberdade. Os temas foram relacionados aos desafios atuais, como a disseminação de fake news, as desigualdades sociais, a polarização, as guerras e as questões éticas envolvendo a inteligência artificial.
Inspirando-se também no magistério do Papa Leão XIV, Pe. Reginaldo recordou que “a paz de Jesus é uma paz desarmada e desarmante”, construída pelo diálogo, pela humildade e pela fraternidade.
Para a articuladora diocesana das Pastorais Sociais, Ir. Iandra Jackeline Conrado, a metodologia utilizada pelo assessor foi muito boa. Para ela, o uso de imagens, linguagem acessível, exemplos e comparações entre diferentes épocas propiciou maior entendimento do conteúdo.
“As imagens utilizadas durante a aula facilitaram muito o acesso ao conteúdo e favoreceram a compreensão das encíclicas. Foi uma metodologia muito boa, dinâmica e acessível, que ajudou os participantes a perceberem como esses documentos continuam atuais e iluminam os desafios da sociedade de hoje”, avaliou.
A Escola Diocesana de Doutrina Social da Igreja reafirma, assim, seu compromisso com a formação de lideranças capazes de unir fé, reflexão e ação, testemunhando o Evangelho na construção de uma sociedade mais justa, solidária e promotora da paz.
Próxima etapa
A IV Etapa da Escola Diocesana de Doutrina Social da Igreja será realizada no dia 5 de setembro, com assessoria do Frei Luiz Carlos Susin. O encontro terá como tema “A Igreja em diálogo com o mundo” e aprofundará o estudo da Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, além das Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, que seguem inspirando a missão evangelizadora da Igreja em nosso continente.