Em sua reflexão para o Mês da Bíblia, celebrado pela Igreja Católica no Brasil durante o mês de setembro, Dom Gilson Meurer, bispo diocesano de Lages, convida os fiéis a redescobrirem a importância das Sagradas Escrituras na caminhada de fé.
Partindo da memória de São Jerônimo, celebrado em 30 de setembro, o bispo recorda a história da tradução da Bíblia e a importância de que a Palavra de Deus possa ser conhecida, lida e compreendida na língua de cada povo. Hoje, graças às traduções em português, os cristãos podem ter acesso às Escrituras na celebração da Eucaristia, na leitura pessoal e nos diversos grupos e espaços de formação da Igreja.
Ao longo do artigo, Dom Gilson destaca que a Bíblia não é apenas um registro histórico ou uma obra literária antiga, mas a Palavra viva de Deus, que continua comunicando seu projeto de vida e salvação à humanidade. Em sintonia com os ensinamentos do Concílio Vaticano II, especialmente a Constituição Dogmática Dei Verbum, o bispo ressalta a centralidade das Escrituras na vida da Igreja e na experiência de fé de cada cristão.
A reflexão também reforça a importância de fazer da Palavra de Deus um alimento diário, por meio da leitura, da oração, do estudo e da participação nas celebrações e atividades pastorais. Mais do que conhecer a Bíblia, somos chamados a colocar seus ensinamentos em prática, permitindo que ela ilumine nossas escolhas e sustente nossa vida.
Com o título “A Bíblia: Palavra viva que transforma a vida”, Dom Gilson Meurer convida toda a comunidade diocesana a aproveitar este Mês da Bíblia para renovar o compromisso com a escuta e a vivência da Palavra de Deus, construindo sobre ela uma vida firmada na fé, na esperança e no amor.
A BÍBLIA: PALAVRA VIVA QUE TRANSFORMA A VIDA
Em setembro a Igreja Católica no Brasil celebra o Mês da Bíblia. A escolha desse mês é devido ao fato que no dia 30 de setembro comemora-se a memória de São Jerônimo, um presbítero que no séc. 4 traduziu as Sagradas Escrituras do Hebraico, Aramaico e do Grego, as línguas originais da Bíblia, para o latim, a língua da península itálica que o império romano já havia disseminado pelas colônias (por essa época, o latim havia substituindo o grego como língua franca). Ela recebeu o nome de Vulgata por utilizar o latim popular (vulgar, e não erudito). Diga-se de passagem, os Evangelhos também foram escritos em grego popular, chamado de koiné. A tradução latina de Jerônimo perdurou por mais de um milênio e meio na Igreja como Bíblia oficial, até que o Concílio Vaticano II resolveu que a Bíblia deveria ser de novo lida na língua do povo, e autorizou as traduções em língua vernácula para cada país. Felizmente, podemos ouvir na Missa, ler em casa e estudar em Grupos, a Bíblia em nossa língua portuguesa.
A Bíblia não é meramente um registro histórico ou uma obra literária antiga. Ela é, fundamentalmente, a Palavra viva de Deus, que se comunica com a humanidade através de autores inspirados, e seu propósito é aproximar a humanidade de Deus, conhecer Seus desígnios de vida e salvação.
No Concílio Vaticano II a Igreja reafirma a centralidade das Escrituras na caminhada de fé, através da constituição dogmática Dei Verbum. No parágrafo 21, a Igreja ensina que as Sagradas Escrituras devem ser veneradas com o mesmo respeito e devoção que se dedica ao próprio Corpo do Senhor. Com efeito, na Santa Missa os fiéis são tanto alimentados pelo pão da Palavra quanto pelo pão da Eucaristia. E no parágrafo 12, afirma que da mesma forma que a segunda pessoa da Trindade, o Filho eterno do Pai, assumiu a condição humana em forma humana, assim também a Palavra de Deus se comunica conosco de modo humano, em linguagem humana. Por isso, mesmo sendo humana em sua forma, a Bíblia, na verdade, contém misteriosamente a Palavra de Deus.
Desde então os papas têm admoestado continuamente a fazermos da Bíblia nosso alimento através da leitura ou oração, pessoalmente ou em grupo, em cada celebração sacramental, especialmente na Santa Missa, e na vida pastoral da Igreja (Grupos Bìblicos, escolas bìblicas, catequese e em cada grupo pastoral).
Portanto, o Mês da Bíblia representa um convite oportuno para que todos renovem seu compromisso com a leitura, a meditação, o estudo, a oração da Palavra de Deus, a fim de que, colocada em prática, seja a rocha firme que sustenta nossa vida (cf. Mt 7,24: “Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha…”).
Dom Gilson Meurer
Bispo Diocesano de Lages